Finanças & Wall Street

CEO do BCGA: “como há 100 anos, o desafio é estar onde os clientes estão”

Bernardo Bunga

14 Julho, 2026 - 20:19

Bernardo Bunga

14 Julho, 2026 - 20:19

“Nós, os bancos, não estamos a conseguir acompanhar o ritmo da vida dos angolanos”, afirmou Manuela Ferreira, a principal gestora do banco privado mais antigo do País, o Caixa Angola, apontando para o contraste entre a elevada utilização de equipamentos móveis e o nível de inclusão financeira existente. A abordagem da alta executiva foi feita na primeira edição do Conversas de Luanda, um Think Tank promovido pela revista O Telegrama, que reuniu algumas das principais líderes femininas do sector financeiro nacional para uma reflexão estratégica sobre o futuro dos mercados financeiros e emergentes

“Do Cofre à Cloud – Tendências e Futuro” foi o tema abordado pela Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Banco Caixa Geral Angola (BCGA), na primeira edição do Conversas de Luanda, centrando a sua intervenção na transformação do modelo bancário, na evolução tecnológica e nos desafios que se colocam às instituições financeiras numa sociedade cada vez mais digital.

Para Manuela Ferreira, a passagem do modelo tradicional, baseado na presença física e nos balcões, para um ecossistema digital sustentado pela cloud, representa uma mudança profunda na relação entre os bancos e os seus clientes. A tecnologia deve responder a um dos principais requisitos da actividade financeira: a confiança, diz a CEO do Caixa Angola.

“Hoje, a cloud tem de responder a um dos grandes requisitos ligados à confiança dos clientes”, afirmou.

Esta transformação pode ser analisada através de seis dimensões fundamentais, começando pelo próprio modelo de negócio das instituições financeiras. “Como há cem anos, o desafio é estar onde os clientes estão”, referiu, acrescentando que a questão central já não é apenas identificar onde está o cliente, mas garantir que o banco consiga acompanhá-lo em todos os momentos da sua vida financeira.

Neste novo contexto, Manuela Ferreira defendeu que os bancos precisam de repensar a sua presença no mercado, uma vez que a relação com os clientes deixou de estar limitada ao espaço físico. “Temos de pensar muito mais naquilo que são as plataformas, porque a presença deixa de ser apenas física”, sublinhou.

A executiva alertou, contudo, para o facto de o sistema bancário nacional ainda não estar a acompanhar totalmente a velocidade de transformação da sociedade angolana. “Nós, os bancos, não estamos a conseguir acompanhar o ritmo da vida dos angolanos”, afirmou, apontando para o contraste entre a elevada utilização de equipamentos móveis e o nível de inclusão financeira existente no país.

“Temos, em Angola, 77% de penetração de telemóvel e apenas 36% da população bancarizada”, dando sinais de que esta diferença revela uma oportunidade significativa para o sector financeiro acelerar a digitalização e desenvolver soluções capazes de integrar novos clientes no sistema bancário.

Partilhar nas Redes Sociais

+ LIdas

Leia também

error: Conteúdo protegido!!