Finanças & Wall Street

Ana Cazumbula: “Angola tem uma grande oportunidade para ampliar a base de participantes no mercado de capitais”

Alice da Silva

16 Julho, 2026 - 23:38

Alice da Silva

16 Julho, 2026 - 23:38

Durante a primeira edição da conferência Conversas de Luanda, realizada sob o lema “O Futuro dos Mercados Financeiros Emergentes”, a presidente do Conselho de Administração (PCA) da Inovadora Capital apresentou uma visão estrutural das três forças que, na sua perspectiva, irão moldar o futuro dos mercados financeiros, reforçando que a convivência entre elas definirá a forma como será criado valor

Durante o evento, que se propôs a reflectir sobre os desafios e o futuro dos mercados financeiros emergentes e reuniu como oradoras distintas personalidades da banca, do sector segurador, do mercado de capitais e da consultoria financeira, Ana Cazumbula debruçou-se sobre a necessidade de desenhar o sistema financeiro dos próximos 15 anos.

“Num contexto em que o mercado está a mudar mais rapidamente do que nunca, a nova geração de investidores exige rapidez e transparência na forma como poupa, investe ou acede ao crédito. As fintechs estão a transformar os modelos tradicionais”, salientou a PCA da Inovadora Capital, apontando a confiança como um activo estratégico que sustenta um ciclo virtuoso de liquidez e estabilidade macroeconómica.

O futuro dos mercados financeiros

A PCA apresentou uma visão estrutural das três forças que, na sua perspectiva, irão moldar o futuro dos mercados financeiros, reforçando que a convivência entre elas definirá a forma como será criado valor.

Em primeiro lugar, destacou a inclusão financeira como uma oportunidade de crescimento do negócio, referindo que o potencial de expansão do mercado africano está nas mãos de 162 milhões de pessoas, que representam novos clientes, investidores e empreendedores ainda fora do sistema financeiro formal.

“Angola tem uma grande oportunidade para ampliar a base de participantes no mercado de capitais, abrir novas vias de financiamento para as pequenas e médias empresas e aumentar a liquidez do mercado de capitais”, defendeu.

A segunda força apontada foi a Inteligência Artificial (IA), que, na sua visão, permitirá a transição da simples automação para processos de tomada de decisão mais eficientes, possibilitando a análise de grandes volumes de dados, bem como o reforço dos mecanismos de prevenção e detecção de fraude.

A responsável sublinhou, contudo, que a IA não pretende substituir os profissionais do sector, mas apoiá-los na tomada de decisões, uma vez que a confiança não reside na tecnologia em si, mas na forma como esta é governada.

A terceira força identificada foi a infra-estrutura digital. Segundo Ana Cazumbula, não existe transformação digital sem uma infra-estrutura robusta. Dados, segurança cibernética, sistemas de pagamentos e identidade digital serão os novos pilares do crescimento financeiro, assumindo uma importância comparável à das estradas e da energia.

Desafios de um mercado em construção

Para a PCA da Inovadora Capital, Angola continua a enfrentar desafios típicos de mercados em desenvolvimento, como a baixa literacia financeira, a reduzida liquidez do mercado, as limitações da infra-estrutura e a pouca profundidade institucional.

“O primeiro passo deve ser garantir a confiança no sistema. Uma pessoa pode até ter uma conta bancária, mas nunca decidir poupar, investir ou participar no mercado de capitais”, reforçou.

Na sua perspectiva, o grande desafio de Angola passa por continuar a consolidar a estabilidade macroeconómica, alinhar-se com as melhores práticas internacionais e com os princípios Ambientais, Sociais e de Governação (ESG), bem como assegurar uma supervisão eficiente.

A execuiva defendeu ainda que bancos, sociedades distribuidoras e correctoras devem trabalhar de forma articulada, uma vez que o desenvolvimento do mercado de capitais depende do contributo de todos os intervenientes.

Cazumbula concluiu a sua intervenção perspectivando uma Angola em que qualquer cidadão, através de um telemóvel, possa aceder ao mercado de capitais, abrir uma conta, poupar e, posteriormente, investir.

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