Finanças & Wall Street

Bolsa brasileira regista uma das maiores quedas da história após reeleição de Lula

Nelson Francisco Sul

26 Outubro, 2026 - 23:50

Nelson Francisco Sul

26 Outubro, 2026 - 23:50

O Ibovespa, principal indicador de desempenho das acções negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), fechou em forte queda nesta segunda-feira (26), naquele que foi o primeiro pregão após a segunda volta das eleições presidenciais, realizado neste domingo, e que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva

De acordo com a imprensa brasileira, este resultado contrário às expectativas que vinham sendo precificadas pelo mercado nas últimas semanas. A frustração do mercado levou a Bolsa a desabar 13,88%, aos 176.608,23 pontos, considerado o maior tombo em um dia desde Março de 2020.

Diante do choque turbulento, a B3 precisou accionar o circuit breaker, por 30 minutos, uma ferramenta utilizada em movimentos de maior volatilidade no mercado, quando há maior aversão ao risco por parte dos investidores e os principais índices accionários sofrem fortes queda.

InfoMoney dá conta que a dimensão do movimento chama a atenção diante do histórico de quedas do mercado accionário.

Levantamento da Elos Ayta, uma consultora brasileira especializada em inteligência financeira, análise de dados e pesquisa de mercado, mostra que a maior queda da série ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando o índice recuou 15,83%, em meio à crise financeira russa e à fuga de capitais dos mercados emergentes. A segunda maior perda foi registrada em 27 de outubro de 1997, com baixa de 14,98%, durante a crise asiática.

Pandemia concentrou quatro das dez maiores quedas

A ainda segundo a publicação, a pandemia de Covid-19 responde por quatro dos dez maiores recuos diários do Ibovespa, todos registrados em março de 2020, em um intervalo de apenas oito pregões. “Em 12 de março, o índice caiu 14,78%. No dia 16, recuou 13,92%. Em 9 de março, a baixa havia sido de 12,17%, enquanto, em 18 de março, chegou a 10,35%”, noticiou o InfoMoney.

Naquele período, o avanço da pandemia, as restrições à circulação de pessoas e o temor de uma recessão global provocaram forte aversão ao risco. A turbulência foi agravada pela guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia, que ampliou a pressão sobre os mercados financeiros.

A concentração de quatro quedas expressivas em poucos pregões evidencia a intensidade da crise e a velocidade com que a deterioração das perspectivas econômicas se refletiu nos preços dos ativos.

O Lehman Brothers e outros episódios que abalaram a Bolsa

Além da queda de outubro de 1997, a crise asiática provocou um recuo de 10,20% do Ibovespa em 12 de novembro daquele ano.

Em 2008, a crise financeira internacional, agravada pela quebra do banco Lehman Brothers, esteve associada a perdas de 11,39% em 15 de outubro e de 10,18% em 22 de outubro. Naquele segundo pregão, o anúncio de uma proposta de estatização dos fundos privados de pensão na Argentina ampliou a instabilidade nos mercados emergentes e intensificou as vendas de ações brasileiras.

Os episódios reforçam como crises de liquidez, fuga de capitais e mudanças abruptas na percepção de risco global podem provocar movimentos intensos na Bolsa brasileira, mesmo quando os fatores que desencadeiam a turbulência estão fora do país.

Episódio político doméstico 

Entre as dez maiores perdas diárias consideradas no levantamento, apenas uma esteve diretamente associada a um episódio político doméstico. Em 5 de setembro de 1994, o Ibovespa recuou 10,50% após a repercussão das declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, no episódio conhecido como escândalo da parabólica, que gerou incertezas sobre a continuidade do Plano Real.

O levantamento da Elos Ayta indica que, embora acontecimentos políticos nacionais possam provocar oscilações expressivas, as maiores quedas históricas do Ibovespa estiveram predominantemente associadas a crises internacionais.

Partilhar nas Redes Sociais

+ LIdas

Leia também

erro: Conteúdo protegido!!