Finanças & Wall Street

Solândia Caputo: “existem poucas empresas elegíveis para aceder à bolsa”

Alice da Silva

14 Julho, 2026 - 10:40

Alice da Silva

14 Julho, 2026 - 10:40

“Em Angola, existe uma bolsa, no entanto, faltam empresas prontas para essa bolsa”. A afirmação é da presidente do Concelho de Administração da Resultados SCVM, durante o think tank promovido pelo O Telegrama, subordinado ao tema o "Futuro dos Mercados Financeiros e Emergentes"

Para aderir à bolsa, o mercado exige demonstrações financeiras auditadas; informação periódica comparável, um governo societário com órgãos independentes, transparência e um plano de negócios com projecções anuais.

“O problema não é o acesso ao mercado. É a elegibilidade, infelizmente existem poucas empresas elegíveis para aceder à bolsa”, salientou Solândia, acrescentando que a contabilidade da maior parte das empresas serve ao fisco e antes do investidor optar por um investimento, deverá ter resposta a pelo menos 3 questões.

A primeira questão está ligada à necessidade de a empresa gerar um fluxo de caixa sustentável e garantir que o investidor tenha visibilidade de que terá o retorno do seu investimento. Para responder a essa questão deve existir uma demonstração de fluxo de caixa operacional, consistente, auditadas e com séries históricas comparáveis.

A segunda está ligada ao endividamento e à sua compatibilidade com o serviço da dívida, a resposta exige que existam rácios de cobertura, estrutura de passivo e mobilidade; informação que raramente é disponível fora do sector bancário.

A última tem que ver com a previsibilidade da gestão de resultados, o que implica a necessidade de existir uma auditoria independente, um conselho fiscal funcional e política de divulgação regular de informação financeira.

O problema da governação

Na sua abordagem, subordinada ao tema “o mercado começa antes da bolsa”, Solândia Caputo disse, por outro lado, que a maioria das empresas angolanas de dimensão relevante não separa propriedade de gestão, não têm órgãos de fiscalização independente e não pratica qualquer política de informação regular.

Apontou que a solução para esse tema é encontrada em três (3) pilares de governos mínimos para o acesso ao mercado de Capitais.

O primeiro pilar é um conselho de administração independente, sem conflito de interesse com accionistas maioritários, capazes de representar os interesses dos financiadores externos.

Como segunda solução, apresentou um órgão de fiscalização, uma comissão de auditoria ou conselho fiscal funcional, com acesso à informação contabilística, e capacidade de reportar ao mercado.

A terceira solução está ligada à publicação regular de demonstrações financeiras auditadas, relatórios de gestão, informação sobre factos que possam afectar o valor sobre os instrumentos emitidos.

Solândia Caputo concluiu a sua intervenção realçando que a governação societária não é burocracia, é o preço de entrada no mercado de capitais e o fundamento da confiança do investidor.

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+ LIdas

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