Finanças & Wall Street

Seguradoras valem 4,7% do total das negociações na BODIVA ‎

Alexandre Lourenço

8 Fevereiro, 2026 - 23:17

Alexandre Lourenço

8 Fevereiro, 2026 - 23:17

As negociações das seguradoras na bolsa, em 2025, cresceram 60% para AOA 68,61 mil milhões (US$ 75,20 milhões) e os Fundos de Pensões triplicaram as negociações ao crescerem 221% para AOA 202,99 mil milhões (US$ 222,99 milhões) face aos AOA 63,15 mil milhões (US$ 69,07 milhões) registados em 2024. Uma participação que consolida os fundos de pensões como os principais dinamizadores da liquidez no mercado nacional

‎A participação das seguradoras e dos Fundos de Pensões nas negociações da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) valem apenas 4,7%, para AOA 271,60 mil milhões (US$ 297,14 milhões), de acordo com os cálculos de O Telegrama com base no resultado da Comissão do Mercado de Capital (CMC). Em termos de instrumentos mais negociados, as acções, obrigações de tesouro não reajustáveis e unidades de participação continuam como os activos mais investidos pelo mercado segurador.

‎O montante negociado no mercado de capitais por sectores institucionais e não institucionais em 2025 registou uma queda de 5% para AOA 5,7 biliões (US$ 6,27 mil milhões) face aos AOA 6,0 biliões (US$ 6,64 mil milhões) registados em 2024. É a segunda queda consecutiva que a bolsa regista depois de as negociações terem reduzido 21% em 2024.

‎Apesar de ainda apresentar uma baixa liquidez na Bolsa, o sector segurador quase triplicou a sua quota de mercado, passando de uma participação de 1,7% para 4,7% do volume negociado.

‎Este crescimento reflecte a entrada de novas opções de obrigações corporativas que, de certa forma, está atrair a atenção dos investidores, principalmente os investidores institucionais que se sentem também atraídos pela diversidade de instrumento, como as obrigações do BAI, e o Papel Comercial, que são instrumentos que acabam por atrair o perfil de investidores como o sector segurador.

‎Seguradoras precisam de incentivo às políticas de curto prazo

‎Os operadores de mercado entendem que o sector tem potencial para aumentar a sua participação no mercado segurador. No entanto, para tal, é necessário incentivar mais as políticas de curto prazo, uma vez que as responsabilidades das seguradoras, como a regularização de sinistros, são de curto prazo.

‎Paulo Bracons, consultor de seguros, defende que o mercado de seguros em Angola é fundamentalmente um mercado não vida, ou seja, de curto prazo (seguros anuais com possibilidade de renovação), onde a gestão da liquidez é o factor determinante.

‎Para que o mercado de seguros possa ter uma forte presença no mercado de capitais, o especialista entende que será importante uma maior presença ou penetração do ramo vida, em particular com produtos de capitalização/poupança, que trabalham no médio e longo prazos e que são os verdadeiros financiadores da economia.

‎“Nos mercados mais maduros, o ramo vida chega a representar mais de 50% dos prémios do mercado segurador”, disse o consultor.‎

‎Jorge da Conceição, corrector de seguros, acredita ser imperativo fomentar a participação no mercado de capitais, dada a aparente discrepância entre o actual volume de investimento dos fundos de pensões e o seu elevado potencial, uma vez que são, por excelência, investidores institucionais de referência.

‎Para mostrar a expansão do segmento, os fundos de pensões registaram uma valorização de 28% no último exercício consolidado, atingindo AOA 1,1 biliões (US$ 1,2 mil milhões). Embora os dados de 2025 ainda não estejam disponíveis, a trajectória reafirma a robustez do sector.

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Alexandre Lourenço

Editor de Seguros & Empresas

Alexandre é jornalista com mais de uma década de experiência. Integra, actualmente, a equipa editorial da revista O Telegrama como Editor de Seguros & Empresas, dedicando-se à cobertura de temas ligados ao ambiente empresarial, com especial enfoque no sector segurador. Foi repórter sénior do Novo Jornal e do económico Expansão. Licenciado em Ensino da Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), possui, ainda, formação Técnica Comercial em Seguros pela Academia de Seguros e Fundos de Pensões, além de formação em Jornalismo, Boa Governação e Transparência Fiscal pela USAID-Angola.

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