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Conflito no Médio Oriente provoca maior crise de fornecimento de petróleo da história ‎

Bernardo Bunga

13 Março, 2026 - 14:07

Bernardo Bunga

13 Março, 2026 - 14:07

Relatório do mercado petrolífero referente ao mês de Fevereiro, divulgado esta quinta-feira (12), pela Agência Internacional de Energia (AIE), revela que o conflito no Oriente Médio está a provocar a maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo. A escalada da guerra na região tem afectado, de forma directa, as rotas estratégicas de transporte energético, sobretudo no Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais importantes para o comércio mundial de crude ‎

‎Os fluxos de petróleo bruto e de derivados que atravessavam o estreito caíram de cerca de 20 milhões de barris por dia (mb/d) antes do conflito para níveis residuais actualmente. Com a capacidade limitada para contornar esta via navegável crucial e com os centros de armazenamento a aproximarem-se da saturação, os países do Golfo foram forçados a reduzir a produção total em pelo menos 10 mb/d. Caso não haja uma rápida normalização do transporte marítimo na região, o relatório alerta que as perdas de oferta no mercado internacional de petróleo poderão aumentar ainda mais nas próximas semanas.

‎As estimativas da agência indicam que o fornecimento global de petróleo deverá recuar cerca de 8 milhões de barris por dia (mb/d) durante o mês, representando, sobretudo, as restrições logísticas e operacionais que afectam importantes rotas e centros de produção da região. Apesar da magnitude da redução, parte das perdas deverá ser parcialmente compensada pelo aumento da produção em alguns países fora da aliança Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+), com destaque para Cazaquistão e Rússia, que estão a recuperar níveis de produção após interrupções registadas no início do ano. Ainda assim, a evolução do equilíbrio entre oferta e procura continuará fortemente dependente da duração do conflito e da intensidade das perturbações nos fluxos internacionais de petróleo.

‎Num horizonte mais alargado, as projecções apontam para uma recuperação gradual da oferta. As estimativas apontam que o fornecimento global de petróleo poderá crescer, em média, 1,1 mb/d em 2026, sendo este aumento integralmente sustentado por produtores não pertencentes à OPEP+.

‎Preços do petróleo disparam após escalada militar no Médio Oriente

‎O relatório destaca ainda que os preços internacionais do petróleo registaram uma forte escalada nas últimas semanas, impulsionados pela intensificação das tensões geopolíticas no Médio Oriente. As preocupações do mercado concentraram-se, sobretudo, nas possíveis interrupções na infra-estrutura petrolífera da região e na suspensão temporária do tráfego de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz. Como consequência directa desse cenário de risco, os contratos futuros do Brent crude oil chegaram a disparar para perto de US$ 120 por barril.‎

‎Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona refinarias e mercados de produtos derivados

‎O bloqueio temporário do Estreito de Ormuz está a provocar impactos significativos também no sector de refinação global. Refinarias orientadas para exportação têm sido forçadas a reduzir operações ou mesmo encerrar completamente, à medida que os tanques de armazenamento se enchem, segundo a AIE, este bloqueio no estreito está colocando em risco mais de 4 milhões de barris por dia (mb/d) de capacidade de refino, cenário que ameaça interromper o fornecimento de produtos refinados críticos, desde diesel até combustíveis de aviação.

‎Em 2025, os países do Golfo exportaram cerca de 3,3 mb/d de produtos refinados e 1,5 mb/d de gás liquefeito de petróleo (GLP), volumes que sustentam mercados internacionais estratégicos. Apesar de ser possível aumentar o throughput (capacidade operacional de uma refinaria para transformar crude em produtos refinados) em outras regiões, a disponibilidade limitada de matérias-primas representa um constrangimento importante.

‎Como resposta, alguns países já implementaram restrições à exportação de produtos, numa tentativa de gerir o abastecimento interno. Entre os derivados, diesel e combustível de aviação são os mais vulneráveis a perdas prolongadas de produção e exportação, dada a flexibilidade limitada para redireccionar oferta de outras regiões.

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