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Angola regista queda de 46,97% nas licenças de construção em 2025 ‎

Bernardo Bunga

1 Abril, 2026 - 18:00

Bernardo Bunga

1 Abril, 2026 - 18:00

‎Os resultados do Inquérito sobre as Licenças Aprovadas para Construção de Edifícios (ILACE), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola (INE), revelam uma contracção expressiva na dinâmica do sector da construção em 2025. O número total de licenças aprovadas fixou-se em 866, traduzindo uma redução significativa de 46,97% face ao ano anterior, um sinal claro de arrefecimento da actividade imobiliária no país ‎

‎A leitura territorial dos dados aponta para uma forte concentração das licenças em poucas províncias, com destaque para o Cuanza Sul, que lidera com 264 autorizações emitidas, correspondendo a 30,48% das licenças emitidas a nível nacional no período em análise. Seguem-se o Zaire (101), Luanda (75), Cabinda (61) e Uíge (42). Em conjunto, estas cinco (5) províncias concentram mais da metade das licenças emitidas, 62,70%, o que espelha, de forma nítida, um certo padrão de assimetria regional na aprovação de projectos de construção.

‎A análise por tipologia de licenças mostra uma predominância quase absoluta de novos projectos, que totalizaram 836 autorizações, equivalendo a 96,54% das licenças distribuídas no território nacional. Em contraste, as licenças de renovação foram apenas 19 (2,19%), enquanto as de alteração somaram 11 (1,27%), um sinal de uma reduzida incidência de requalificação e adaptação da construção existente no país.

‎Predomínio das famílias marca licenças de construção em 2025

‎O perfil dos titulares das licenças de construção aprovadas em 2025 expõe uma clara dominância das iniciativas individuais, num ambiente em que o investimento imobiliário continua a ser impulsionado, sobretudo, por necessidades habitacionais das famílias.

‎De acordo com os dados do INE, as pessoas singulares lideram, de forma expressiva, com um total de 810 licenças aprovadas, representando 93,53% das licenças emitidas pelos titulares. Muito abaixo, surgem as empresas privadas, com apenas 26 (3%) licenças, seguidas pelas cooperativas de habitação, que registaram 13 (1,50%) aprovações ao longo do ano.

‎No que diz respeito ao destino das obras, o padrão mantém-se alinhado com a predominância habitacional. A categoria de habitação familiar destaca-se de forma notável, com 721 licenças, um peso de 83,26% nas licenças aprovadas por destino da obra. Outros destinos, embora com menor expressão, também merecem destaque. O sector do comércio registou 97 licenças. Seguem-se as igrejas, com 16 licenças, e a categoria de outros fins, que inclui infra-estruturas como parques de estacionamento ou garagens, com 12 aprovações. Por fim, as escolas ou colégios privados contabilizaram 11 licenças.

‎Os resultados do Inquérito sobre as Licenças Aprovadas para a Construção de Edifícios (ILACE) indicam que a área bruta total de construção licenciada em Angola, ao longo de 2025, atingiu 1 392 789,01 metros quadrados (m²).

‎Os números a nível territorial revelam uma forte concentração da área licenciada em algumas províncias. Benguela lidera com 366 592 m², seguida por Malanje, com 240 780,00 m². Luanda surge na terceira posição, com 156 594,62 m², muito próxima do Cuanza Sul, que registou 156 005,80 m².

‎Relativamente à área bruta de construção por titular da licença, os dados confirmam a superioridade das iniciativas individuais também em termos de dimensão física das obras. As pessoas singulares concentram 896 407 m² da área total licenciada, seguidas pelas cooperativas de habitação, com 219 870 m². As empresas privadas representam 164 653 m², enquanto as instituições sem fins lucrativos totalizam 45 263 m², mantendo uma participação mais reduzida no conjunto do investimento.

‎Já na desagregação por destino da obra, a habitação familiar volta a assumir uma posição dominante, com 788 661,30 m² licenciados. O comércio ocupa a segunda posição, com 259 235 m². Outros tipos de construção, que incluem diferentes finalidades não especificadas, somam 143 631 m², enquanto as igrejas totalizam 81 552 m².

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