A equipa económica do Grupo Standard Bank, chefiada pelo economista moçambicano Fáusio Mussá, prevê que a economia angolana deverá crescer 1,1%, uma cifra abaixo dos objectivos constantes no Plano de Desenvolvimento Nacional, abreviadamente PDN 2023-2027.
A perspectiva dos especialistas do Standard Bank foi apresentada no início da noite de ontem, dia 11, durante a primeira edição do Economic Briefing 2024, que versou sobre a situação “Macroeconómica de Angola”.
Fáusio Mussá justificou a previsão de crescimento abaixo das expectativas do PDN, por não se vislumbrar uma possibilidade de Angola poder mobilizar “investimentos necessários” para o aumento da produção petrolífera, que é o seu principal produto de exportação.
Essa perspectiva dos experts do Standard Bank contraria as previsões optimistas do Executivo, através da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG), que não tem dúvidas de que Angola deverá sair a breve trecho dos 1,1 milhões de barris de petróleo por dia para 2 milhões de barris.
O Research do Standard Bank traça um único cenário possível para Angola, que passa para a estabilidade da produção e não um aumento na produção petrolífera. Mussá explica: “Em termos líquidos”, o país regista “uma desaceleração de investimento directo estrangeiro”.
INFLACÇÃO EM 28%

Em relação à inflação, a instituição financeira prevê que Angola atinja um pico em Julho, de cerca de 28% a nível nacional, mas que nos meses seguintes deverá registar um decréscimo.
No seu raio X feito ao desempenho da economia angolana, o Standard Bank, que tem reforçado a sua posição no sector financeiro angolano, observou igualmente a política monetária levada a cabo pelo Banco Nacional de Angola (BNA), e considerando-a como “insuficientemente apertada” e com “elevado crescimento da massa monetária em moeda nacional e taxas de juro reais negativas”.
Os combustíveis, cujo tema divide a sociedade, também foram objecto de análise dos especialistas do Standard Bank, que sugerem a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis e/ou ao corte total, tendo, por outro lado, se manifestado contra o aumento de 87% no preço da gasolina por litro, em 2023.
UM AUMENTO DOLOROSO…
“É uma injustiça social muito grande, eu [Fáusio Mussá] visitar Angola e beneficiar de um subsídio, quando estamos numa economia com um nível de pobreza muito grande. E não tenho necessidade nenhuma de beneficiar deste subsídio”, disse Mussá, para quem o Estado devia prosseguir com os cortes ao mesmo tempo que devia aplicar subsídios adicionais para as famílias pobres.
Entretanto, não só de nebulosidade anda a economia angolana. Embora o crescimento previsto seja apenas de 1,1%, a cifra é ainda superior ao crescimento económico registado em 2023, em que a economia cresceu apenas 0,9%.
O Grupo Standard Bank conjectura um crescimento médio da economia mundial, sendo que tal desiderato se repercutirá positivamente para Angola, dado o facto do país estar “muito sujeito à volatilidade do preço do petróleo” a nível global.
