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10 anos depois, Brasil regressa ao mercado europeu e capta 5 mil milhões de euros

Bernardo Bunga

17 Abril, 2026 - 13:40

Bernardo Bunga

17 Abril, 2026 - 13:40

O Brasil regressou ao mercado europeu de dívida soberana após mais de uma década de ausência, ao captar 5 mil milhões de euros (US$ 5,9 mil milhões) por meio de uma emissão de títulos realizada no mercado financeiro da Europa. A operação foi anunciada nesta quarta-feira (15) pelo Ministério da Fazenda do Brasil e assinala um novo movimento do país para diversificar as suas fontes de financiamento externo

O Tesouro Nacional realizou uma operação de captação no mercado financeiro europeu, no âmbito de uma estratégia de financiamento externo do Estado brasileiro. A emissão foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante uma visita oficial a Washington, D.C., onde participa nas reuniões de primavera promovidas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial.

De acordo com o governante, a operação foi estruturada em três prazos distintos de maturidade, quatro, sete e dez anos, permitindo diversificar o perfil da dívida e ampliar a base de investidores internacionais. Segundo estimativas do mercado financeiro, a emissão incluiu 2 mil milhões de euros em títulos com vencimento em 2030, 1,5 mil milhões de euros em obrigações com maturidade em 2033 e outros 1,5 mil milhões de euros em papéis com vencimento em 2036.

A última emissão de dívida soberana brasileira denominada em euros ocorreu em 2014, marcando agora o regresso do país a este segmento do mercado internacional de capitais após mais de uma década.

Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa integra o plano de gestão activa da dívida pública e de diversificação das fontes de financiamento do Estado. A operação também procura ampliar a presença do país em diferentes mercados e moedas, reforçando a relação com investidores europeus.

De acordo com o Tesouro, a emissão tem ainda como objectivo estabelecer um índice de referência para títulos brasileiros denominados em euros no mercado internacional. Esse “benchmark” poderá, no futuro, facilitar o acesso de empresas brasileiras a financiamento externo, reduzindo custos de captação e ampliando as alternativas de obtenção de recursos nos mercados internacionais.

Os recursos obtidos com a emissão deverão ser utilizados sobretudo para o refinanciamento da dívida pública federal, substituindo passivos existentes públicos. Durante a sua estada nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também comentou a recente revisão das projecções económicas feita pelo Fundo Monetário Internacional. A instituição estima que a economia do Brasil deverá crescer 1,9% em 2026, num ambiente global marcado por desaceleração económica e incertezas nos mercados internacionais.

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Bernardo Bunga

EDITOR DE ECONOMIA & OIL

Bernardo Bunga é Editor de Economia & Oil no O Telegrama e possui mais de 5 anos de experiência em análise económica e planeamento financeiro. Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Angola (UCAN), detém, também, o bacharel em Gestão Financeira pela Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN). Fez parte da equipa de consultores que prestou consultoria ao Banco Mundial, ao Ministério do Planeamento e ao Ministério das Finanças para a harmonização de salários e subsídios dos projectos da representação em Angola do Banco Mundial. Actuou como consultor na Global Education e na Knowledge – Consultores & Auditores. Possui formações em planeamento e estratégia de tomada de decisão, teoria das restrições – Lean e Six Sigma (TLS), Excel Avançado e Análise de Dados.

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